Distúrbios do Sono.
Por que e como investigar?
Poucas especialidades médicas desenvolveram-se tanto, nas últimas duas décadas, quanto a Neurologia e, consequentemente, as suas subespecialidades. Nessa ordem de idéias, merecem destaque as pesquisas e o interesse, quer da classe médica, quer da população em geral, sobre as moléstias relacionadas à qualidade do sono. Os avanços, nessa questão, têm sido expressivos e dignos de nota. Não é, pois, por acaso que, atualmente, a maioria dos grandes centros dispõe de serviços em Medicina do Sono.
O sono é uma necessidade individual; função biológica básica - essencial da existência humana -, com grande importância no aprendizado e no equilíbrio emocional, entre outros. Responde pela restauração das condições neurofisiológicas e físicas normais, vale dizer, pela recuperação das funções mentais e orgânicas dos seres humanos que, com efeito, passam um terço de suas vidas dormindo. Não há como se negar a sua influência sobre as condições físicas, psicológicas e, até, sociais das pessoas. Sua privação provoca importantes alterações no ritmo biológico, na condição ambiental e em fatores orgânicos, como sonolência excessiva, dificuldade de concentração, déficit de memória, irritabilidade, fadiga física e mental, alteração de humor, manifestações psicopatológicas, neurológicas, voz lenta, aumento da sensibilidade dolorosa etc. Em razão disso, qualquer interferência na quantidade ou na qualidade do sono importará em sensíveis alterações nas atividades cotidianas dos indivíduos.
Desta forma, toda vez que se revelar alterada a capacidade de dormir ou, ainda, quando o sono se intrometer nas atividades diárias normais de uma pessoa, as respectivas causas devem ser imediatamente investigadas. Esse o propósito da Medicina do Sono.
A Medicina do Sono é ramo relativamente recente, conta com pouco mais do que duas décadas, sendo certo que o Brasil se encontra no topo do desenvolvimento da pesquisa nessa área. É multidisciplinar - abrange várias especialidades médicas - e tem por objetivo diagnosticar e tratar adequadamente os chamados "distúrbios do sono".
Estudos recentes comprovam que os distúrbios do sono têm um custo social elevado e, por isso, devem ser tratados como relevante questão de saúde pública. São mais de 70 conhecidos distúrbios (primários e secundários) do sono. Dentre os principais, podemos mencionar:
- Insônia (sintoma freqüente, chegando a atingir cerca de ½ de certas populações); - Narcolepsia; - Sonolência diurna excessiva (observado, principalmente, em pacientes com distúrbios respiratórios relacionados ao sono); - Apnéia do sono (afeta 4% da população mundial e é considerada o mais grave distúrbio do sono); - Ronco; - Parassonias: Sonambulismo, Pesadelos, Terror do sono, Bruxismo; - Epilepsia do sono; - Distúrbios de fases do sono; - Distúrbios dos movimentos rítmicos; - Distúrbios comportamentais (distúrbios depressivos, esquizofrenia, alcoolismo, dependência de drogas).
É fundamental, pois, a integração das diversas especialidades médicas, atentando-se para o fato de que os distúrbios ligados ao sono, não raro, são causa ou conseqüência de vários sinais e sintomas de moléstias relacionadas a essas áreas. A investigação do sono, portanto, deve ser prática comum em, por exemplo, Otorrinolaringologia, Pneumologia, Neurologia, Cardiologia, Endocrinologia, Psiquiatria, Clínica Médica, Medicina do Trabalho e, até, Odontologia.
Alguns dados adicionais
- Os distúrbios do sono, como vimos, causam, entre outros males, significativa redução do alerta. O Brasil é recordista mundial em acidentes de trânsito e as duas maiores causas desses acidentes são o álcool e o sono (incidência sete vezes maior quando comparada aos motoristas em geral). Comprometem, ademais, o desempenho social da pessoa, tanto na vida profissional, quanto na sexual;
- A apnéia é considerada o mais perigoso distúrbio do sono. Dados epidemiológicos estimam que a síndrome da apnéia/hipopnéia do sono obstrutiva (SAHSO ) afeta cerca de 2 a 4% dos adultos de meia-idade na população mundial. Pacientes com a síndrome clássica são geralmente homens, entre 35 e 55 anos de idade, sedentários, obesos, com história de ronco e apnéia noturna, apresentando sonolência diurna excessiva e complicações cardiovasculares. Ela pode causar hipertensão arterial e, em casos mais graves, levar à morte;
- Doenças cardiovasculares (Hipertensão arterial sistêmica, arritmias cardíacas noturnas, infarto agudo do miocárdio) podem ser o reflexo de distúrbios intrínsecos do sono. Pesquisas revelam que as pessoas que roncam morrem entre 60 e 70 anos, porque têm oximetria menor e baixo nível de saturação, o que sobrecarrega o coração;
- Pacientes DPOC ou com síndromes restritivas, com hipoventilação alveolar, dependendo da gravidade, podem se beneficiar através de uma boa titulação e uso do BIPAP nasal noturno.
- O endocrinologista pode se deparar com queixas de sonolência excessiva diurna e o estudo do sono é capaz de auxiliá-lo nas comorbidades dos distúrbios hormonais tireoidianos, do climatério (menopausa) e nos casos de obesidade mórbida;
- O refluxo gastroesofágico, sozinho, pode gerar inúmeros microdespertares, tornando o sono não reparador em qualquer faixa etária;
- Crianças com sonambulismo, apnéias do sono, bruxismo, terror noturno (parassonias em geral), e com suspeita de epilepsia noturna devem ser investigadas;
- O especialista em Medicina do Trabalho, muitas vezes, se depara com empregados com baixo rendimento, com queixas de insônia, que podem ser bastante beneficiados se analisados seus ritmos circadianos;
- Depressão, ansiedade, fibromialgia, movimentos periódicos dos membros, abusos de tranqüilizantes e álcool são distúrbios que alteram o sono de maneira significativa e se bem conduzidos podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Sabe-se que entre as mulheres o distúrbio mais freqüente é a insônia, o que resulta no uso e no abuso de benzodiazepínicos que causam dependência;
Conforme as recomendações da Sociedade Americana dos Distúrbios do Sono (ASDA), a POLISSONOGRAFIA é o método de escolha para o diagnóstico das alterações relacionadas ao sono e, também, para titulação de CPAP e para avaliação pré e pós-cirúrgica da apnéia obstrutiva do sono.
fonte :www.bacelar.com.br
Definição de Sangue
O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em uma pessoa normal sadia, cerca de 45% do volume de seu sangue são células (a maioria de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas).
O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
Este movimento circulatório do sangue ocorre devido à atividade coordenada do coração, pulmões e das paredes dos vasos sanguíneos. O sangue transporta ainda muitos sais e substâncias orgânicas dissolvidas.
No interior de muitos ossos, há cavidades preenchidas por um tecido macio, a medula óssea vermelha, onde são produzidas as células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas.
Respiração
Plaquetas
As plaquetas são pequenas massas protoplásticas anucleares, que aderem à superfície interna da parede dos vasos sanguíneos no lugar de uma lesão e fecham o defeito da parede vascular. Tem cerca de 200.000 a 300.000 plaquetas, denominadas trombócitos, no sangue.
Glóbulos Brancos
No sangue, temos de 5.000 a 10.000 corpúsculos ou glóbulos brancos (células brancas do sangue), que recebem o nome de leucócitos. De 4.000 a 11.000 glóbulos brancos por mm3. São de vários tipos principais:
Neutrófilos - Que fagocitam e destroem bactérias;
Eosinófilos - Que aumentam seu número e se ativam na presença de certas infecções e alergias;
Basófilos - Que segregam substâncias como a heparina, de propriedades anticoagulantes, e a histamina;
Linfócitos - Que desempenham um papel importante na produção de anticorpos e na imunidade celular;
Monócitos - Que digerem substâncias estranhas não bacterianas.
Doenças Sanguíneas
As doenças do sangue resultam mudanças anormais em sua composição. A redução anômala do conteúdo de hemoglobina ou do número de glóbulos vermelhos é conhecida como anemia. A formação de hemoglobina anômala é característica da anemia falciforme e da talassemia. A leucemia é acompanhada por uma proliferação desordenada de leucócitos.
A deficiência de qualquer dos fatores necessários à coagulação do sangue provoca hemorragias. Diversas doenças hemorrágicas, como a hemofilia, são hereditárias.
Anemia
Introdução
"Anemia", palavra que do grego significa "privação de sangue". É caracterizada por uma diminuição da quantidade total do número de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina do sangue (concentração de hemoglobina inferior a 0,13g/ml no homem e a 0,12g/ml na mulher).
Hemoglobina
A hemoglobina é constituída por um pigmento vermelho chamado heme, que dá a cor vermelha característica do sangue. É um pigmento especial predominante no sangue, cuja função é transportar o oxigênio. Transporta o oxigênio dos pulmões até os tecidos do corpo. Depois, inverte sua função e recolhe o dióxido de carbono, transportando-o até os pulmões para ser expirado.
A deficiência de hemoglobina provoca a anemia. As alterações da estrutura da hemoglobina podem causar a anemia falciforme.
Anemia das células falciformes
A anemia falciforme é um processo hereditário em que a hemoglobina apresenta-se alterada. Conhecida também como anemia drepanocítica, é causada pela existência de hemoglobina anômala ou hemoglobina S, que muda de forma quando a quantidade de oxigênio no sangue se reduz por qualquer motivo. As hemácias que contêm a hemoglobina também mudam, adotando a forma de foice (falciforme).
Hemácias Falciforme
Outros tipos de anemia
Pode-se verificar a anemia em diversos casos patológicos: hemólise, doenças malignas, saturnismo, talassemia, hemorragia, deficiência de vitamina B12, deficiência de ferro, afecções inflamatórias crônicas, etc.
A mais comum é a anemia ferropênica provocada por um déficit de ferro, elemento essencial para a fabricação de glóbulos vermelhos. A anemia perniciosa é provocada por um déficit de vitamina B12, fundamental para a produção de hemácias.
Análise de sangue
Através da análise de sangue, verifica-se a definição das diferentes formas de anemia e determina a sua causa. Destinguem-se:
Segundo o volume globular médio (hemácias), as anemias microcíticas, normocíticas, macrocíticas e megalocíticas;
Segundo a concentração corpuscular média de hemoglobina (cromia), anemias hipocrônicas ou normocrônicas;
Segundo a concentração sérica de ferro e de siderofilina, as anemias hipo, normo ou hipersiderêmicas com siderofilina baixa, normal ou aumentada;
Segundo o aspecto da medula óssea, as formas megaloblásticas;
Número de reticulócitos do sangue circulante, as anemias arregenerativas ou regenerativas;
Localização do fator responsável pela hemólise, as anemias hemolíticas corpusculares ou extracorpusculares.
Mais em: http://www.webciencia.com/11_20sangue.htm#ixzz2LUJ95Vjw
Prevenção:
O tipo mais comum de anemia é a ferropriva, causada pela ingestão insuficiente ou má absorção de ferro. O déficit desse nutriente impede a formação da hemoglobina e da mioglobina, que são duas proteínas presentes no sangue e responsáveis pelo transporte de oxigênio - sendo que a mioglobina transporta oxigênio apenas para nossos músculos. Isso fará com que o organismo não tenha oxigênio suficiente para completar as funções vitais.
"É necessário entender que vários nutrientes estão envolvidos na carência do ferro", conta a nutricionista Mayumi Shima. O nutrólogo Celso Cukier, do Hospital São Luiz, também explica que a anemia só é possível de ser revertida com a alimentação quando é fraca. "Caso seja uma anemia grave, a dieta deve ser completada com suplementos", diz.
Confira abaixo os nutrientes que participam do combate a essa doença e outros que devem ser consumidos com cautela:
Em primeiro lugar: o ferro
Esse é o nutriente mais importante quando o assunto é combater a anemia ferropriva. Isso porque a sua deficiência promove uma má formação da hemoglobina e dos glóbulos vermelhos. "Na anemia ferropriva, há redução da quantidade total de ferro corporal e, dessa forma, o fornecimento de ferro para o pleno funcionamento dos glóbulos vermelhos é insuficiente", afirma a nutricionista Mayumi Shima.
Podemos dividir esse nutriente em dois tipos: o ferro heme - que é melhor absorvido pelo organismo -, e o não heme - absorvido em menor quantidade.
As fontes de ferro heme são carne vermelha, fígado, aves e peixes. Já os alimentos fonte de ferro não heme são verduras de folhas escuras e leguminosas.
Vitamina A é importante coadjuvante
"A deficiência dessa vitamina dificulta o transporte do ferro armazenado no fígado para o sangue, causando danos na formação dos glóbulos vermelho", afirma a nutricionista Mayumi Shima.
As principais fontes de vitamina A são alimentos alaranjados ou verde-escuros e vísceras.
Ácido fólico para anemia megaloblástica
Os folatos são substâncias que participam diretamente da formação do nosso DNA - nossos genes, responsáveis por construir proteínas, como a hemoglobina e a mioglobina, essenciais para a formação dos glóbulos vermelhos e para o transporte e armazenamento do sangue. Quando não ingerimos quantidades adequadas de folatos, nossa síntese do DNA, consequentemente dos glóbulos vermelhos, é danificada.
Isso diminuirá a concentração de células sanguíneas, prejudicando o transporte de oxigênio e causando o que é chamado de anemia megaloblástica - ela não ocorre por deficiência de ferro, e sim pela dificuldade de transporte do oxigênio pelo sangue.
Alimentos fonte de ácido fólico: folhas verde-escuras, fígado, ovos e gérmen de trigo.
Não esqueça a vitamina B12
Esse nutriente atua juntamente com os folatos. De acordo com a nutricionista Mayumi Shima, a deficiência de vitamina B12 causa danos ao metabolismo do folato e o resultado é o que lemos anteriormente - a produção de glóbulos vermelhos e o transporte de oxigênio ficam prejudicados.
O nutrólogo Celso Cukier também alerta que a deficiência de vitamina B12 pode deixar as células sanguíneas mais inchadas, dificultando o transporte de oxigênio e causando a anemia megaloblástica.
Pelo fato de esse nutriente ser mais amplamente encontrado em vísceras, carnes, ovos, leite e derivados, a anemia megaloblástica é muito comum em veganos e vegetarianos. Nesses casos, a suplementação é necessária.
Vitamina C, uma amiga do ferro
A deficiência deste nutriente não causa diretamente uma anemia. O que a vitamina C faz é auxiliar a absorção e mobilização do ferro armazenado. Um exemplo dessa ação é quando comemos alguma fonte de ferro não heme acompanhada de alimentos ricos em vitamina C. Ao fazer isso, o ferro não heme se transforma em ferro heme, aumentando a sua absorção.
"Não ingerir quantidades adequadas de vitamina C causa danos no metabolismo do folato, além de promover hemólises (destruição dos glóbulos vermelhos) e hemorragias", afirma a nutricionista Mayumi Shima.
Alimentos fonte de vitamina C: frutas e verduras em geral.
Alimentos amargos para absorver os nutrientes
A nutricionista Mayumi Shima explica que alimentos de gosto amargo, como jiló, agrião, chicória, almeirão e alcachofra, têm o poder de estimular a secreção de enzimas digestivas. Isso facilita a absorção do ferro, do ácido fólico e das vitaminas do complexo B, contribuindo, assim, para o não aparecimento ou combate da anemia.
Cobre e zinco
"A deficiência de cobre em nosso organismo vai interferir na formação da hemoglobina, o que pode levar a uma anemia", conta o nutrólogo Celso Cukier.
Já o zinco, presente em farelo de aveia, feijão, leite e arroz integrais, peito de frango e carne vermelha, quando ingerido em excesso vai impedir a absorção do cobre, causando os mesmos efeitos da deficiência.
Fontes de cobre: ostras, lulas, siris, amendoim, nozes, amêndoas, sementes de girassol, passas, feijão, grãos-de-bico e lentilhas.
Você já tem anemia? Evite esses excessos
Na presença da anemia ferropriva, devemos evitar o excesso de alguns nutrientes que podem prejudicar a absorção do ferro, tais como:
Cálcio: o ideal é, durante o período de anemia, evitar consumo excessivo de leite, queijo, iogurte, entre outras fontes de cálcio, na mesma refeição rica em ferro. Isso porque ingerir cerca de 300mg (a recomendação diária é de 1000mg) de cálcio acompanhado de uma fonte de ferro não heme pode diminuir a absorção deste em 50 a 60%.
Fibras, taninos e fitatos: o consumo em maior quantidade de fibras pode diminuir a absorção do ferro. Já os taninos e fitatos são compostos químicos que se combinam ao ferro, tornando-o insolúvel, impedindo sua absorção. Evite o consumo excessivo de fibras - como pães e massas integrais -, café, chá preto ou chá mate na mesma refeição rica em ferro.
matéria do site : http://www.minhavida.com.br/alimentacao/galerias/13727-combata-a-anemia-com-esses-alimentos/8#
ANEMIA | Sintomas e causas
Autor do texto: Pedro Pinheiro - 19 de fevereiro de 2012 | 22:11
Anemia é um dos distúrbios mais frequentes na medicina. Apesar de ser uma condição comum, ela é muitas vezes mal diagnosticada, mal tratada e quase sempre mal explicada aos pacientes.
Neste texto vamos explicar os seguintes pontos sobre a anemia:
O que é anemia.
O que são hematócrito e hemoglobina.
Diagnóstico da anemia.
Causas de anemia.
Tipos de anemia.
Sintomas da anemia.
Relação entre anemia e leucemia.
O que é anemia?
Popularmente a anemia é conhecida como falta de sangue. Na verdade, este conceito não está de todo errado, mas podemos ser um pouco mais precisos. Anemia é a redução do número de glóbulos vermelhos (também chamados de hemácias ou eritrócitos) no sangue. As hemácias são as células que transportam o oxigênio, levando-o para todos os órgãos e tecidos do corpo.
Para ficar mais fácil de entender, vamos explicar do que é feito o sangue:
Composição do sangue
O sangue pode ser dividido didaticamente em duas partes: plasma e células.
O plasma sanguíneo é a parte líquida, correspondendo a 55% do volume total de sangue. O plasma é basicamente água (92%), com alguns nutrientes diluídos, como proteínas, anticorpos, enzimas, glicose, sais minerais, hormônios, etc.
Os outros 45% do sangue são compostos por células: hemácias, leucócitos e plaquetas. Destas células, 99% são hemácias.
A anemia surge quando o percentual de hemácias no sangue fica reduzido, deixando-o mais diluído (as causas serão explicados mais à frente).
O diagnóstico da anemia é feito basicamente pela dosagem das hemácias no sangue, realizada através de em um exame de sangue chamado hemograma (leia: ENTENDA OS RESULTADOS DO SEU HEMOGRAMA). Na prática, a dosagem das hemácias é feita através dos valores do hematócrito e da hemoglobina.
Para entender como se diagnostica uma anemia é preciso estar familiarizado com os termos hematócrito e hemoglobina. Vamos a eles, então.
O que são o hematócrito e a hemoglobina?
a.) Hematócrito
O hematócrito é o percentual do sangue que é ocupado pelas hemácias (glóbulos vermelhos). O hematócrito normal fica ao redor de 40 a 45%, indicando que 40 a 45% do sangue são compostos por hemácias.
As hemácias são produzidas na medula óssea e têm uma vida de apenas 120 dias. As hemácias velhas são destruídas pelo baço (órgão situado à esquerda na nossa cavidade abdominal). Isso significa que após quatro meses nossas hemácias já foram todas renovadas. A produção e a destruição das hemácias são constantes, de modo a se manter sempre um número estável de hemácias circulantes no sangue.
b.) Hemoglobina
A hemoglobina é uma molécula portadora de ferro que fica dentro da hemácia. A hemoglobina é o componente mais importante da hemácia por ser ela a responsável pelo transporte de oxigênio pelo sangue.
O ferro é um elemento essencial da hemoglobina. Pessoas com carência de ferro não conseguem produzir hemoglobinas, que por sua vez são necessárias para a produção das hemácias. Portanto, uma diminuição das hemoglobinas obrigatoriamente leva a uma diminuição das hemácias, ou seja, à anemia.
Na prática, a dosagem de hemoglobina acaba sendo a mais precisa na avaliação de uma anemia, uma vez que o hematócrito pode ser influenciado por uma sangue mais ou menos diluído.
Diagnóstico da anemia
O diagnóstico de anemia é feito quando os valores da hemoglobina e do hematócrito estão abaixo do valor de referência:
- Hematócrito normal = 41% a 54% nos homens ou 35% a 47% nas mulheres
- Hemoglobina normal = 13 a 17 g/dL nos homens ou 12 a16 g/dL nas mulheres
Portanto, estamos diante de uma anemia quando os valores se encontram abaixo dos fornecido acima. É importante salientar que os valores de referência podem variar de um laboratório para o outro, e resultados um pouco abaixo do normal devem ser interpretados pelo seu médico, uma vez que não necessariamente indicam doença. Mulheres com grande fluxo menstrual podem ter valores menores que estes, sem causar qualquer dano à saúde. Uma leve anemia em mulheres pode não ter relevância clínica.
Bom, explicado o básico, vamos ao que interessa.
Causas de anemia
A anemia tem três causas básicas:
- Pouca produção de hemácias pela medula óssea.
- Elevada destruição de hemácias pelo corpo.
- Perda de hemácias e ferro através de sangramentos.
O CONCEITO MAIS IMPORTANTE QUE DEVE SER APRENDIDO É QUE ANEMIA NÃO É UMA DOENÇA, MAS SIM UM SINAL DE DOENÇA. Ao se deparar com um hemograma evidenciando uma anemia, o médico deve investigar qual das três causas acima é a responsável pelo quadro. Não basta prescrever ferro e achar que está tudo bem.
Exemplos de causas de anemia que não se resolvem apenas com reposição de ferro:
1- Um câncer de intestino pode causar sangramentos e perda de hemácias, levando à anemia. Esta anemia é causada por perda de sangue e, apesar do paciente realmente ter carência de ferro, uma simples reposição não irá estancar o sangramento, nem tratar o tumor. Na verdade, repor ferro sem investigar a causa da anemia pode melhorar os valores do hematócrito temporariamente, levando à falsa impressão de resolução do problema, o que só irá atrasar o diagnóstico final.
2- Uma infecção que atinge a medula óssea impede a produção de hemácias, levando à anemia. Anemia neste caso ocorre por falta de produção de hemácias na medula. Do mesmo modo, repor ferro não irá tratar a causa.
3- Um medicamento que seja tóxico para as hemácias e cause sua destruição antes de 120 dias, também leva à anemia. Anemia por rápida destruição das hemácias também não vai ser tratada com ferro.
Portanto, o simples diagnóstico de anemia não encerra a investigação. Pelo contrário, ele é apenas o primeiro passo para se obter o diagnóstico final. Se o paciente tem uma anemia, existe uma causa por trás.
A reposição de ferro só está indicada nos casos de anemia por carência ferro, chamada de anemia ferropriva. Ainda assim, a reposição não elimina a necessidade de se investigar o que está causando a perda de ferro. O paciente pode perder sangue por úlceras no estômago, tumores no intestino, sangramento vaginal, etc. Para saber mais sobre anemia por carência de ferro, leia: ANEMIA FERROPRIVA | Carência de ferro.
Na verdade, qualquer doença que curse com inflamação crônica pode inibir a função da medula óssea e cursar com queda das hemácias, uma situação que chamamos de anemia de doença crônica. Portanto, qualquer doença mais arrastada pode causar anemia.
Anemias primárias
Na maioria dos casos, a anemia surge devido a alguma doença, como nos exemplos citados acima. Todavia, existem também as anemias primárias, ou seja, causadas por defeitos próprios na produção das hemácias. As anemias primárias são aquelas que não são causadas por outras doenças, elas são a própria doença.
Estas anemias são normalmente doenças de origem genética. As mais comuns são:
- Anemia falciforme (leia: ANEMIA FALCIFORME (DREPANOCÍTICA))
- Talassemia
- Anemia sideroblástica
- Esferocitose
- Hemoglobinúria paroxística noturna
- Deficiência de G6PD
Apenas para reforçar os conceitos: na anemia primária, o paciente tem um defeito genético que o impede de produzir hemácias saudáveis. O paciente nasce com esse problema. Nas anemias secundárias, o paciente passa a apresentar anemia depois de contrair algum problema de saúde ao longo da sua vida.
Anemia vira leucemia?
NÃO! nenhuma anemia causa leucemia, assim como nenhuma anemia vira leucemia. Na verdade, anemia não só não vira leucemia como nenhum outro tipo de câncer. Entretanto, como já foi explicado, a anemia pode ser um sinal da existência de um câncer, entre eles a própria leucemia. Portanto, a leucemia leva à anemia e não o contrário.
Sintomas da anemia
Como as hemácias são as transportadoras de oxigênio do nosso corpo, a falta delas leva aos sintomas de uma oxigenação deficiente dos nossos tecidos. O principal sintoma da anemia é o cansaço. A anemia pode ser tão grave que tarefas simples como pentear o cabelo ou mudar de roupa tornam-se extenuantes.
Quanto mais rápido se instala a anemia, mais cansaço e fraqueza o paciente sente. Anemias que se instalam lentamente dão tempo ao paciente se adaptar e podem só causar sintomas em fases bem avançadas. Apenas como exemplo, se o paciente perde sangue rapidamente e sua hemoglobina cai de 13 para 9,0 g/dL em dois ou três dias, o paciente sentirá um cansaço grande. Se por outro lado houver um sangramento pequeno mas constante, fazendo com que a hemoglobina caia de 13 para 8,0 g/dL em três ou quatro meses, o paciente pode não notar muito cansaço a não ser que tente fazer esforços mais intensos.
Anemia
Outro sinal de anemia é a palidez cutânea, muitas vezes identificadas até por leigos. Em pacientes de pele negra, a palidez cutânea é difícil de ser identificada.
Um jeito simples de identificar a anemia é olhar a conjuntiva, a membrana que recobre o olho e a região de dentro da pálpebra. Em pessoas normais ela é bem vermelhinha. Já em anêmicos ela é quase da cor da pele.
Além do cansaço e da palidez cutânea, outros sintomas da anemia incluem palpitações, falta de ar, dor no peito, sonolência, tonturas e hipotensão. Nos idosos pode haver algum grau de perda da atenção e dificuldades no raciocínio.
Para saber mais sobre os sintomas da anemia, leia: SINTOMAS DA ANEMIA.
Conclusão
Como se pôde notar, a anemia é uma situação complexa que pode indicar dezenas de doenças diferentes.
O importante é procurar ajuda médica sempre que houver suspeita de anemia.
Não se satisfaça apenas com o diagnóstico de anemia e a prescrição de ferro para tratamento. Pergunte ao seu médico qual é a causa da sua anemia e o que está sendo feito para diagnosticá-la e tratá-la.
fonte :http://www.mdsaude.com/2008/09/anemia.html
Ola bom dia, quero através deste blog, entender algumas coisas que nos acometem e nos deixam sem ação, como a morte de uma pessoa querida na família, que de-repente fica doente e morre em 12 dias de internação de uma doença que nunca tinha ouvido falar....são fatos e temos que entender...porque uma simples anemia, pode ser o inicio de uma grave e séria doença....!